Cabocleando

( Eduardo Casado)

 

No semblante

Ele tem a verdade

O esforço se vê na mão

O sorriso é coisa rara

No caboclo do meu sertão

 

Ele enfrenta o tempo disposto

Não conhece a recessão

Ele briga com a natureza

No inverno e no verão

São as qualidades natas

Do caboclo do sertão

 

Respeita, cobrando o mesmo

Não aceita provocação

Medo não tem vidência

No caboclo do sertão

Só a saudade é que mata

O homem deste rincão

Bastante somente deixar

O seu pedaço de chão

É quando os olhos marejam

No caboclo do sertão

 

Tem amor e ninguém sabe

Tem tristeza e ninguém ver

Tem carinho à sua moda

Pra ninguém compreender

Por aí está se vendo

Que também tem coração

 

É a rudeza nativa

Do caboclo do sertão } bis

LP: CHÁ CUTUBA; 1977; RCA