Conversa de Barbeiro

( Luiz Gonzaga e David Nasser)

 

Eu sou barbeiro do avental bem limpo

As oito e meia eu começo o trabalho

Senta o primeiro não há privilégio

Seja o Ribeiro seja o seu Carvalho

Limpo a navalha, desinfeto tudo

Molho o pincel e passo bem sabão

Depois da barba, faço a costeleta

Se acaso senta na minha cadeira

Um freguês pão-duro, um freguês ranheta

Pego a solige mais enferrujada

Que é especial pra quem não dá gorjeta

Ai, freguês

Eu faço a a barba bem escanhoada } bis

 

E o pão duro nem sequer reclama

Diz “obrigado” com a voz tão gaga

Dou pedra-ume pra enxugar o bife

E a família do barbeiro paga

Tenho um fordeco muito conservado

Toda manhã eu faço lotação

Se acaso algum negócio errado

Gritam: Navalha olha contra mão

Fico zangado com essa advertência

Eu vou xingando logo toda geração

Eu sou barbeiro cabra respeitado

Não faço pouco dessa profissão

 

Ai freguês

Cabelo, barba, bigode e loção

Eu sou barbeiro mas de profissão } bis

78 RPM V800819b 1951