São Francisco de Canindé

(Julinho e Luiz Bandeira)

 

Eu vi terra fumaçar

Vi graveto estalando o sol

Eu vi o rio virar

Um deserto de pedra e pó

A noite se avermelhou

De tão quente o céu e o chão

Meu povo se encomendou

Esperando o fim do sertão

  

Dê um jeito meu São Francisco

Foi assim que pedi com fé

De repente choveu bonito

O rio encheu de fazer maré

 

É triste se acompanhar

O sertão secar e morrer

Compensa a graça de Deus

O milagre do renascer

 

Só pode mesmo julgar

Que não é exagero meu

Pessoa de boa fé

Ou então quem por lá viveu

 

Obrigado meu São Francisco

Louvo a Deus sua sagração

Tenha sempre ao seu cuidado

O povo humilde do meu sertão

 

Não precisa prometer

Ele ajuda a quem tem fé

Fazer bem é seu poder

São Francisco em Canindé

CHÁ CUTUBA; 1977; RCA