Testamento de Caboclo

(R. Bitencourt e Raul Sampaio )

 Posso morrerMas desta vida não me queixoE na toada Vou dizer tudo que deixoDeixo o roçadoBonitinho e bem cuidadoUma galinhaCom pintinho no cercado Deixo o riachoE o murmúrio da cascataA noite lindaNo sertão banhado em prataDeixo cantando Passarinho em cada galhoE deixo a honraDe uma vida de trabalho Moça bonitaCaboclinha, linda florNão chores nuncaMinha falta, por favorMoça bonitaCaboclinha, linda florSó jogue floresPra enfeitar o nosso amorPosso morrerMas desta vida não lamentoQuem morre pobre Deixa pouco em testamentoDeixo uma vacaE uma cabra bem gordinhaUma palhoçaDe sapé, já pintadinha Deus me perdoeMas só quero por direitoLevar comigoA viola junto ao peitoSe alguém ouvirUma voz triste à beira-rioFoi eu cantandoPro luar, um desafio Moça bonita

Caboclinha, linda flor…

78 RPMV802220b 1960